Aula 28
Sumário: Breve recapitulação da aula anterior. Os três tipos de conhecimento. Introdução a definição clássica de conhecimento.
Teeteto- (...) O saber é a opinião verdadeira; pelo menos, opinar a verdade não tem erro e tudo o que
ocorre em consequência torna-se nobre e bom.
S. - Por certo que a questão requer um breve exame, pois há toda uma arte que te indica que o saber
não é o que estás a dizer que é.
T. Qual? Que arte é?
S. - A maior, no que concerne à sabedoria. E aos que praticam chamam-lhes, não duvides,
“oradores” e “litigantes”. Pois estes, embora não ensinem, com a sua arte persuadem e levam a
gente a opinar o que querem. (...)
T. - Certamente.
S. - Amigo, se a opinião verdadeira e o saber fossem o mesmo, nem sequer o juiz mais competente
poderia emitir uma opinião correta sem saber. E, contudo, neste momento parecem ser
diferentes.
T. - Sócrates, fiquei agora a pensar numa coisa que tinha esquecido e que ouvi alguém dizer: que o
saber é opinião verdadeira acompanhada de explicação [logos] e que a opinião carente de
explicação se encontra à margem do saber. E aquilo de que não há explicação não é suscetível de
se saber - é assim que se referia a isto -, sendo, pelo contrário, cognoscível aquilo de que há
explicação [logos].
S. - Sem dúvida, dizes bem. Mas diz-me como distinguia cognoscíveis de não cognoscíveis e se tu
e eu ouvimos falar deles da mesma maneira?
T. - Não sei se poderei averiguá-lo, mas , se outra pessoa o dissesse, seria capaz de a seguir. (...)
S. - Escuta então: (...) os elementos [que] carecem de explicação são incognoscíveis, (...)quando
alguém chega à opinião verdadeira sobre alguma coisa, sem explicação, a sua alma encontra-se
na [posse da] verdade a respeito disso, mas não a conhece. Com efeito, aquele que não for capaz
de dar e receber uma explicação sobre algo ignora-o. Por sua vez, se chegou a uma explicação,
não só tudo isto lhe veio a ser possível, como além disso tem completamente o saber.
T. - Assim mesmo, exatamente.
S. - Teeteto, será que conseguimos neste momento e neste dia aquilo de que, há muito tempo,
muitos sábios andavam à procura e envelheceram sem ter descoberto?
T. Bem me parece, Sócrates, que o que agora dissemos está bem dito.
S. - É provável que assim seja, pois, que saber poderia haver, independentemente de uma
explicação e opinião correta?”
Platão, Teeteto, 200d-202d, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005
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