sábado, 14 de março de 2015

O tabuleiro do "Trivial da Glória Filosófica"... (depois tenho de pensar num nome melhor)


11º B Cenários de resposta- p.177 do manual



Respostas aos exercícios da página 177 do manual do 11º

I
1-V; 2- F; 3- V; 4-V; 5- V; 6-F; 7-V; 8-V; 9-V; 10-F; 11-F; 12-V; 13-F;a 14 não faz sentido; 15-F; 16-V; 17- V;18-V; 19-V; 20-F

II
Racionalismo e empirismo defendem que o conhecimento provém de diferentes fontes. Descartes, o racionalista estudado, defendeu que todo o conhecimento verdadeiro tem origem na razão e encontrou no cogito (o "eu pensante") o primeiro conhecimento indubitável e em Deus a segunda certeza que lhe permitiu perceber que tudo aquilo que pode conhecer por intuição racional, é certo e indubitável. O conhecimento racional é um conhecimento a priori pois não depende da experiência e é logicamente necessário. Descartes chega à ideia de cogito por dedução. Aceites as premissas, é impossível negar a conclusão sem gerar contradição lógica: se eu duvido é porque penso e se penso é porque existo. Esta conclusão segue-se necessariamente.
Segundo o empirismo, nada existe na razão que não tenha estado primeiro nos sentidos. Não nascemos com qualquer património intelectual e tudo é aprendido pela experiência sensível. Todo o conhecimento é, portanto, à posteriori porque decorre da experiência sensível, do contacto com o mundo. Para o empirismo, a mente é, à partida, uma tábua rasa ou uma folha em branco onde a experiência escreve.

III
Descartes começa por duvidar de tudo aquilo em que possa encontrar a mais pequena dúvida, dos dados dos sentidos às demonstrações matemáticas. Ao duvidar descobre-se como substância pensante pois não pode duvidar de que pensa e, se pensa, existe. O cogito é a sua primeira certeza e sobre ele alicerçará todo o edifício do conhecimento.

IV
A hipótese do génio maligno representa a dúvida levada ao extremo (hiperbólica) e serve para reforçar a existência do cogito : mesmo que o génio maligno exista, para duvidar é preciso existir, se duvida é porque pensa e se pensa é porque existe, mesmo que exista como ser constantemente iludido por um génio maligno.

V
As impressões e as ideias distinguem-se pelo grau de força e de vivacidade. As ideias são menos vivas e intensas. Já as impressões são perceções mais vivas e intensas. As ideias são cópias das impressões que são o material primitivo do conhecimento. A ideia que tenho de chocolate quando o recordo é menos intensa do que a impressão que tenho quando o como.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Uma lição útil

Caros alunos,

Quero que pensem e se expressem sem medo de errar. Quero que tenham coragem e me apresentem as vossas dúvidas sem receios. Pensem nos assuntos. Vocês podem encontrar as respostas por vocês próprios, mas eu também vos posso ajudar a chegar lá. Vocês estudam demasiado sozinhos porque não apresentam as dúvidas quando elas surgem. Todo o conhecimento parte de uma pergunta. É necessário que nos perguntemos, genuinamente, e sintamos necessidade de saber. Só sentimos necessidade daquilo que não temos. O Humano é um animal que identifica o que lhe falta, ele é capaz de perceber que ignora um determinado assunto e procurar saber mais porque precisa. Simplesmente porque precisa. Por si próprio, para se tornar melhor, para tornar a Humanidade melhor. Só avançamos para um projeto de resposta quando encontramos uma pergunta.
Perguntem!!!

AOS ALUNOS


"O jovem que completou a sua instrução escolar habituou-se a aprender. Agora pensa que vai aprender filosofia. Mas isso é impossível, pois agora deve aprender a filosofar.[...] Para que pudesse aprender filosofia teria de começar por já haver uma filosofia. Teria de ser possível apresentar um livro e dizer: "Veja-se, aqui há sabedoria, aqui há conhecimento em que podemos confiar. Se aprenderem a entendê-lo e a compreendê-lo, se fizerem dele as vossas fundações e se construírem com base nele daqui para a frente, serão filósofos". Até me mostrarem tal livro de filosofia, um livro a que eu possa apelar, [...] permito-me fazer o seguinte comentário: estaríamos a trair a confiança que o público nos dispensa se, em vez de alargar a capacidade de entendimento dos jovens entregues ao nosso cuidado e em vez de os educar de modo a que no futuro consigam adquirir uma perspectiva própria mais amadurecida, se em vez disso os enganássemos com uma filosofia alegadamente já acabada e cogitada por outras pessoas em seu benefício." Immanuel Kant



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

11º B Cenários de resposta- p.155 do manual- Texto 7

Página 155

1. Descartes tem como finalidade encontrar uma verdade indubitável (da qual não seja possível duvidar).
2. Descartes começa por rejeitar tudo aquilo em que possa existir a menor dúvida, para ver se resta algo absolutamente indubitável. Assim, duvida dos dados dos sentidos, que por vezes nos enganam; rejeita as demonstrações, pois não sabe até que ponto se terá enganado ao alaborá-las; supõe ainda que tudo o que até então estava no seu espírito não era mais verdadeiro do que os sonhos.
3. O princípio- penso, logo existo- que Descartes encontra é puramente racional, claro e distinto, e constituiu-se como a sua primeira verdade.

11º B Cenários de resposta- p.142 do manual- Texto 2 e Texto 3

Página 142

1. O autor do texto nega que exista conhecimento, pois o apostador apenas está confiante que o seu cavalo vai ganhar, tem uma crença que julga verdadeira, mas, na realidade, falta-lhe a justificação dessa crença para que ela possa ser considerada conhecimento. 

Página 143

1. Só justificando podemos explicar como sabemos o que cremos saber. O autor enumera as três condições necessárias para que se possa falar em conhecimento: "A ideia que formamos acerca do objeto da nossa compreensão" (crença); "A hipótese que esse modelo mental corresponde aos atributos do objeto"(verdade); "Além de termos uma ideia e de crermos corretamente que a nossa ideia corresponde à realidade, conseguimos também explicar como sabemos" (justificação).

11ºB Cenários de resposta- p.140 do manual- Texto 1

Página 140
Respostas ao texto de J. Hessen, Teoria do Conhecimento, Arménio Amado, 1976, pp. 26-27

1. No ato de conhecer, estabelece-se uma correlação entre o sujeito e o objeto. O sujeito é sujeito em relação a um objeto e o objeto é objeto em relação a um sujeito. O sujeito, o cognoscente, apreende o objeto, o cognoscível, e este é apreendido pelo sujeito. Esta relação é irreversível, isto é, o sujeito e o objeto não podem trocar de função.
2. Os momentos do ato de conhecer são três: no primeiro momento, o sujeito, entidade reponsável pela apreensão e interpretação dos dados do mundo exterior à mente, sai da sua esfera e dirige-se ao objeto para o apreender; no segundo momento, o sujeito entra na esfera do objeto para recolher as suas propriedades; finalmente, no terceiro momento, o sujeito regressa a si com os dados recolhidos no objeto.
3. Segundo a perspectiva fenomenológica, o conhecimento traduz-se numa imagem ou representação do objeto que o sujeito constrói. Em resultado do conhecimento, o sujeito sofre uma alteração na medida em que possui algo que não possuía antes de se empreender neste processo (possui uma representação de um dado objeto). Visto do lado do objeto, o conhecimento é uma transferência das suas propriedades para o sujeito. O que fica deste fenómeno é uma imagem do objeto na consciência do sujeito.

Matriz do teste do 10º A


2º Teste Sumativo do 2º Período/10º A/29 de janeiro

Tempo: 90 min./10:05-11:35

MATRIZ


Grupo I 
Tema
1.1 Rede conceptual da ação
Conteúdos
Conceito de ação. Elementos constituintes da ação e a distinção entre a ação, o mero ato e o acontecimento.
Localização no manual
Entre a página 48 e a 58.
Tipo de questões
Escolha múltipla.
Cotação
20 (2 valores)
Grupo II
Tema
3.1.1 Intenção ética e norma moral 
Conteúdos
Distinção entre ética e moral. A dimensão normativa da moral. A dimensão reflexiva e universal da ética. Relação entre a ética e a autonomia da vontade.
Localização no manual
Entre a página 122 e a 129.
Tipo de questões
Resposta curta. 
Cotação
60 (6 valores)
Grupo III
Tema
3.1.2 As dimensões pessoal, interpessoal e institucional da ética
Conteúdos
A dimensão pessoal da ética e a relação entre o “eu” e o “outro”. A responsabilidade perante as suas ações e as repercussões na sua vida e na vida do “outro”. As funções das instituições. 
Localização no manual
Entre a página 130 e a 137.
TIpo de questões
Resposta curta e resposta extensa. 
Cotação
120 (12 valores)


Nota: O estudo não se deve limitar àquilo que se encontra nas páginas do manual que são indicadas. É também material de estudo todo aquele que foi entregue e disponibilizado, inclusivamente, através do blogue (aporia1011@blogspot.pt).

Durante o teste, os alunos deverão dispor unicamente de uma caneta azul ou preta, uma folha de teste e, se necessária, uma folha de rascunho. 
Depois de terem recebido o enunciado, os alunos só poderão sair da sala sob condição de entrega definitiva do teste. 


BOM ESTUDO!

Matriz do teste do 11ºB



2º Teste Sumativo do 2º Período/11º B/30 de janeiro

Tempo: 90 min./11:45-13:15

MATRIZ



Grupo I 
Tema
1- Argumentação e retórica
Conteúdos
Falácias informais.
Localização no manual
Entre a página 95 e a 100.
Tipo de questões
Escolha múltipla.
Cotação
20 (2 valores)
Grupo II
Tema
3.1-  Estrutura do ato de conhecer
Conteúdos
Conhecimento por contacto, saber-fazer (competência) e conhecimento proposicional. Análise fenomenológica do conhecimento (correlação entre o sujeito e o objeto, percepção e criação de uma representação).Cognoscente, cognoscido e cognoscível. 
Conhecimento como crença verdadeira justificada (definição clássica de conhecimento).
Localização no manual
Entre a página 138 e a 147.
Tipo de questões
Resposta curta e resposta extensa.
Cotação
100 (10 valores)
Grupo III
Tema
3.2- Duas teorias explicativas do conhecimento
Conteúdos
Dúvida metódica e os seus argumentos: o erro dos sentidos, o argumento do sonho, argumento do Deus enganador e o argumento do génio maligno. Resultado positivo da dúvida e do percurso racional, a chegada à primeira certeza: “penso logo existo”
Localização no manual
Entre a página 153 e a 157.
TIpo de questões
Resposta curta e resposta extensa. 
Cotação
80 (8 valores)

Nota: O estudo não se deve limitar àquilo que se encontra nas páginas do manual que são indicadas. É também material de estudo todo aquele que foi entregue e disponibilizado, inclusivamente, através do blogue (aporia1011@blogspot.pt).

Durante o teste, os alunos deverão dispor unicamente de uma caneta azul ou preta, uma folha de teste e, se necessária, uma folha de rascunho. 
Depois de terem recebido o enunciado, os alunos só poderão sair da sala sob condição de entrega definitiva do teste. 


BOM ESTUDO! 


sábado, 24 de janeiro de 2015

10º A Aula 30

Sumário: Utilitarismo- julgamento de custos-benefícios. 



O Naufrágio do iate Mignonette

"A 19 de Maio de 1884, quatro homens partiram de Inglaterra de barco para a Austrália, num iate chamado "Mignonette". Eram o Comandante Thomas Dudley, o Imediato Edwin Stephens, o marinheiro Ned Brooks e Richard Parker, o camareiro de 17 anos. A 5 de Julho uma enorme onda desabou sobre um lado do iate, que começou a afundar-se. Os homens só tiveram tempo de apanhar duas latas de comida e de entrar num bote antes que o "Mignonette" se afundasse. Os quatro infelizes marinheiros encontraram-se no meio do Oceano Atlântico, a 1 600 milhas de terra, só com umas latas de vegetais para os manter vivos. Ao fim de três dias, os homens esfomeados conseguiram apanhar uma tartaruga. Isto deu-lhes comida e bebida, mas nove dias depois tudo tinha acabado. Ainda a 1 000 milhas de terra, sem comida e só com os ocasionais pingos de chuva para 
beber, os marinheiros ficaram desesperados. O Comandante escreveu numa carta à mulher que, se nenhum navio aparecesse, "Nós morreremos em breve... Estou arrependido de ter começado esta viagem".  Havia, no entanto, uma possibilidade de sobrevivência, pelo menos para três deles, por mais alguns dias. Alguém deveria transformar-se em comida para os outros. O Comandante sugeriu que tirassem à sorte para decidir qual deles seria morto, mas o Stephens e o Brooks objectaram. "Se vamos morrer" disseram eles, "Devemos morrer todos juntos". O jovem Richard Parker, deitado meio inconsciente num fundo do barco, não disse nada. 
Depois de mais dois dias sem comida nem água, o Comandante convenceu o Stephens de que um deles deveria ser sacrificado para salvar os outros, e que o óbvio candidato era o Richard Parker. Era um órfão, não tinha mulher ou família e estava já às portas da morte. Ele só acordava ocasionalmente do coma para beber água do mar, o que o punha ainda mais doente. Eles sabiam que o seu pequeno barco estava ser arrastado para a zona de passagem de navios. Um navio podia ser avistado qualquer dia - ou não. Concordaram que se nenhuma ajuda aparecesse no dia seguinte, matariam o rapaz.  Nenhuma ajuda veio. O 
Marinheiro Brooks não queria ter nada a ver com o assassinato. Enquanto ele se cobriu com um casaco na extremidade do barco, Dudley e Stephens debruçaram-se sobre Parker, que estava inconsciente. "Richard, meu rapaz", sussurrou o Comandante, "Chegou o momento", Stephens preparou-se para agarrar os pés do rapaz, mas não era preciso. Ele estava demasiadamente doente para lutar quando o Comandante pegou no seu canivete e o espetou no pescoço do rapaz, matando-o instantaneamente. Todos os três homens beberam o sangue e comeram o coração e o fígado do Richard durante três dias. Ao quarto dia foram avistados por um navio alemão, o Montezuma. Os três homens estavam muito fracos. O Imediato e o Comandante tiveram de ser içados para bordo com uma corda. 
Os homens atracaram em Inglaterra a 7 de Setembro. Dudley, Stephens e Brooks foram direitos às autoridades e explicaram as razões da morte do rapaz."

(Adaptado da pág. 11 de "Understand the Law", 1994, The Citizenship Foundation) 

Sobre a peça de teatro do dia 6 de fevereiro


"Kilimanjaro baseia-se na célebre novela As neves do Kilimanjaro, bem como noutros contos, nos quais Hemingway utilizou magistralmente a técnica do diálogo. “Todas as histórias, se prolongadas o suficiente, acabam em morte” – lê-se em Morte ao amanhecer – “e aquele que vos esconda esta verdade não é um escritor” . EmKilimanjaro, Harry está a morrer de gangrena. A sua perna apodreceu, e os abutres aterram já em redor do seu acampamento em África. A seu lado, Helen, uma mulher rica, de meia-idade, sustenta a vida que permite a Harry esquecer-se de que não está a escrever. Num meio-delírio, este recorda todas as histórias que podia ter contado e não contou, que tinha “o dever de ter escrito” e não escreveu por preguiça, porque haveria um “mais tarde”, ou porque o álcool lhe embotara os sentidos. Harry adormece. Em sonhos, um avião chega e leva-o até ao cume da montanha, “larga como o Mundo inteiro” . Cá em baixo, uma hiena ri, e Helen soçobra. A história de Harry acabou."
Ernest Hemingway (1899-1961), escritor norte-americano, recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1954. A sua obra foi influenciada pelos grandes acontecimentos da primeira metade do século passado, nomeadamente pela experiência de duas Guerras Mundiais e da Guerra Civil Espanhola. As várias polémicas em que se envolveu, fruto de uma tendência natural para a dissensão, tornaram-no muitas vezes numa personagem de si próprio. O enorme número de escritores que procuraram imitá-lo contrasta grandemente com a escassez daqueles que chegaram a aproximar-se da sua grandeza. Papa Hem, como era apelidado pelos que o amavam, é indubitavelmente um dos mais polémicos e originais escritores do século XX.


Intérpretes Ana Cris, Duarte Guimarães, Elias Nazaré, João Farraia, João Tempera, Luís Vicente, Pedro Lima, Pedro Walter, Rita Loureiro e a participação especial deJosé Evaristo
Voz off Jorge Rebanda

Dramaturgia e encenação Rodrigo Francisco
Assistência de encenação Paulo Mendes
Cenário e figurinos Ana Paula Rocha
Luz Guilherme Frazão
Som Miguel Laureano
Selecção musical Levi Martins
Produção de guarda-roupa Elitsa Ivanova

Direcção de produção Carlos Galvão
Direcção de montagem Guilherme Frazão
Operação de luz e som Miguel Laureano
Montagem Daniel Verdades, Fábio Torella, Ivan Teixeira, João Martins, Paulo Horta
Direcção de cena João Farraia
Grafismo João Gaspar
Edições Ângela Pardelha
Comunicação Levi Martins
Fotografia Rui Carlos Mateus

Co-produção Teatro Nacional D. Maria II
Agradecimentos Luzeiro – Gabinete Técnico de Iluminação para Espectáculos e Clube Náutico de Almada

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Conceitos 10º Ano

10º Ano

Alguns conceitos-base

Eu (o si)- Sujeito, aquele que só se reconhece a si mesmo como pessoa a partir de Outro.

Outro- Sempre diferente de mim (deste si), mas ao mesmo tempo, aquele como reconheço como outro Si.

Moral- Conjunto de normas de conduta decorrentes da necessidade de viver em sociedade.

Instituição- O que permite estruturar e regulamentar a vida de uma comunidade. Forma-se a partir de costumes comuns.

Ética- Reflexão pessoal sobre a conduta humana e os seus fundamentos.

Aula 29 11º B

Aula 29    13/01/2015

Link para download de Powerpoint: https://www.sendspace.com/file/xp3wok


10ºA Aula 29

Aula 29  13/01/2015


Sumário: Distinção entre Moral e Ética, o papel das instituições, normas morais e normas jurídicas e o conceito de menoridade. 

Powerpoint:
  • https://www.sendspace.com/file/quueqh
  • https://www.sendspace.com/file/kye1n6


Manual Phi, Texto Editora, 2007, p.139

domingo, 11 de janeiro de 2015

11º B Aula 28


Aula 28
Sumário: Breve recapitulação da aula anterior. Os três tipos de conhecimento. Introdução a definição clássica de conhecimento.


“Sócrates- (...) Que é o saber? 
Teeteto- (...) O saber é a opinião verdadeira; pelo menos, opinar a verdade não tem erro e tudo o que 
ocorre em consequência torna-se nobre e bom. 
S. - Por certo que a questão requer um breve exame, pois há toda uma arte que te indica que o saber 
não é o que estás a dizer que é. 
T.  Qual? Que arte é? 
S. - A maior, no que concerne à sabedoria. E aos que praticam chamam-lhes, não duvides, 
“oradores” e “litigantes”. Pois estes, embora não ensinem, com a sua arte persuadem e levam a 
gente a opinar o que querem. (...) 
T. - Certamente. 
S. - Amigo, se a opinião verdadeira e o saber fossem o mesmo, nem sequer o juiz mais competente 
poderia emitir uma opinião correta sem saber. E, contudo, neste momento parecem ser 
diferentes. 
T. - Sócrates, fiquei agora a pensar numa coisa que tinha esquecido e que ouvi alguém dizer:  que o 
saber é opinião verdadeira acompanhada de explicação [logos] e que a opinião carente de 
explicação se encontra à margem do saber. E aquilo de que não há explicação não é suscetível de 
se saber - é assim que se referia a isto -, sendo, pelo contrário, cognoscível aquilo de que há 
explicação [logos]. 
S. - Sem dúvida, dizes bem. Mas diz-me como distinguia cognoscíveis de não cognoscíveis e se tu 
e eu ouvimos falar deles da mesma maneira? 
T.  - Não sei se poderei averiguá-lo, mas , se outra pessoa o dissesse, seria capaz de a seguir. (...) 
S. - Escuta então: (...) os elementos [que] carecem de explicação são incognoscíveis, (...)quando 
alguém chega à opinião verdadeira sobre alguma coisa, sem explicação, a sua alma encontra-se 
na [posse da] verdade a respeito disso, mas não a conhece. Com efeito, aquele que não for capaz 
de dar e receber uma explicação sobre algo ignora-o. Por sua vez, se chegou a uma explicação, 
não só tudo isto lhe veio a ser possível, como além disso tem completamente o saber. 
T. - Assim mesmo, exatamente. 
S. - Teeteto, será que conseguimos neste momento e neste dia aquilo de que, há muito tempo, 
muitos sábios andavam à procura e envelheceram sem ter descoberto? 
T. Bem me parece, Sócrates, que o que agora dissemos está bem dito. 
S. - É provável que assim seja, pois, que saber poderia haver, independentemente de uma 
explicação e opinião correta?” 
                                                                         Platão, Teeteto, 200d-202d, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005

Para conhecer um pouco da história recente do Irão


""Persépolis" é a história de uma menina que cresce no Irão durante a Revolução islâmica, a história autobiográfica de Marjane Satrapi, que já dera origem a quatro livros de banda desenhada. É através dos olhos da destemida Marjane, de nove anos, que é vista a esperança de um povo ser destruída quando os fundamentalistas tomam o poder, forçando as mulheres a usar o véu e prendendo milhares de pessoas.
Inteligente e extrovertida, Marjane consegue, mesmo apesar das proibições, descobrir a cultura punk, os Abba ou os Iron Maiden. Mas quando o tio é cruelmente executado e as bombas começam a cair sobre Teerão durante a Guerra com o Iraque, o medo começa a ganhar forma. E a ousadia de Marjane torna-se uma preocupação para os pais que acabam por tomar a difícil decisão de a enviar para uma escola na Áustria. Aí, sozinha, Marjane é confundida com o fundamentalismo religioso, exactamente aquilo de que fugiu do seu país. Mas, com o tempo, acaba por ser aceite. Quando termina o liceu, Marjane decide regressar ao Irão, mas aos 24 anos percebe que não pode continuar a viver no seu país, que trocará pela França, numa decisão cheia de optimismo face ao futuro.
Um filme comovente, trágico e ao mesmo tempo cheio de humor, sobre a ignorância, a intolerância e a forma como há pessoas que continuam a lutar contra as suas consequências e por fazer a diferença. O elenco de vozes é familiar: Marjane tem a voz de Chiara Mastroianni e a mãe de Marjane tem a voz da mãe de Chiara, Catherine Deneuve; já a avó é interpretada por Danielle Darrieux, que, pode dizer-se, faz parte da família cinéfila da diva francesa com quem partilhou uma dezena de filmes.
Satrapi, que além de assinar a BD original co-realiza o filme, nasceu em Teerão em 1969, onde viveu antes de se mudar para Viena e, depois, para França. Em 2000, foi publicado o primeiro álbum da série, editado em Portugal três anos depois pelas Edições Polvo. Outro artista de BD, Vincent Parannaud - também conhecido como Winshluss, um premiado autor francês de banda desenhada alternativa - assina também a adaptação ao cinema da obra.
Distinguido com o Prémio do Júri no Festival de Cannes, o filme foi candidato ao Óscar de melhor longa-metragem de animação e, entre outras distinções, ganhou o Prémio do Público nos festivais de São Paulo e Roterdão e foi considerado o Melhor Filme de Animação pelo círculo de críticos de Nova Iorque e Los Angeles."      in http://www.cinecartaz.publico.pt/filme.asp?id=185167

Persépolis - Filme Completo (Full Movie) / Legendado PT

Persépolis - Filme Completo (Full Movie) / Legendado PT

As legendas podem ser ativadas no segundo ícone do canto inferior direito.https://www.youtube.com/watch?v=5Q_WXPXq-WM

10ºA Aula 27


Aula 27 
Sumário: Apresentação das regras, percurso e conteúdos.  Início do tratamento da questão: "o que devo fazer?"

Vamos pensar em implicações morais

Imagina que…

Tenho de escolher entre…

•Manter-me sentado(a) ou levantar-me;
•Matar o ladrão que me assalta a casa ou não matar;
•Na praia, comer uma bola-de-berlim ou comer uma maçã;
•Quando interrogado pela Gestapo, denunciar o amigo judeu ou não denunciar;
•Vestir uma camisola amarela ou uma camisola verde;
•Ficar em casa a trabalhar ou ir para uma festa divertir-me.

Talvez não seja assim tão simples…

•À mesa, terminada a refeição, levantar-me antes de os outros terminarem com o objectivo de afrontar os presentes;
•Matar o ladrão que me assalta a casa sabendo que só está à procura de alimentos para a sua subsistência;
•Comer uma bola-de-berlim sendo diabética e tendo sido alertada para os riscos que corro;
•Quando interrogado pela Gestapo, não denunciar o amigo judeu sabendo que me matam;
•Vestir uma camisola verde numa manifestação contra o genocídio cuja cor do protesto é o verde sabendo que posso ser morta pelos soldados do regime;
  • Na véspera de um exame para o qual não estou preparado(a), ficar em casa a estudar abdicando da diversão que a festa iria proporcionar.

10º A Aula 18


Aula nº 18
Sumário: O que significa discriminar?



Discriminação e Liberdade 
 Fará sentido um homem destacar uma característica acidental de outro e com base nessa característica marginaliza-lo? Trata-se de confundir o sujeito com os seus predicados (reais ou supostos). Falamos de algo que o outro não tem o poder de alterar, que tem que ver com os seus genes e meio ambiente (o que ele é por acidente e não o que ele é pela sua vontade). Aquele que limita os seus julgamentos a uma mera visão superficial demite-se de usar a sua faculdade racional de julgar e adoptar uma atitude crítica que se afaste da mera opinião. Ultrapassá-la significa adoptar uma perspetiva mais alargada e aprofundada daquilo sobre o qual ajuizamos. Esta nossa capacidade de ver e rever, formular hipóteses interpretativas sobre as coisas do mundo e reformulá-las, é o que nos torna humanos. Não nos devemos demitir da responsabilidade de sê-lo. 
 Quando o homem nasce já é filho de X, neto de Y, nacional de um determinado país, aldeia ou cidade, tem uma determinada cor de pele, um determinado género... Refiro-me a ele”, determinante artigo definido pela gramática da língua portuguesa, mas também a “ele” que vive, determinado. Contudo, não podemos negar que “ele” continua a ser livre porque aquilo que não é acidental nele (aquilo que ele pôde escolher) é produto da ação da sua vontade livre. É por isso que “ele”, aquele alemão protestante que não denunciou o vizinho judeu quando foi interrogado, arriscando a própria vida, é um “herói”, da mesma forma que foi “herói” Martin Luther King quando arriscou a própria vida em nome da igualdade. Este é aquele que subordina a sua ação a princípios universais e não suportaria viver atormentado pela consciência sempre a dizer-lhe que não devia ter feito o que fez, pois tornou-se quem não queria ser. Este homem não pode julgar superficialmente as coisas e as situações, ele julga-as como Homem desejando que o outro também o julgue como tal. Nós tornamo-nos o que fazemos e somos livres de nos tornarmos qualquer coisa. Quem se pauta pela injustiça é injusto, pela mentira é mentiroso. Pelo contrário, um homem também é livre de ser tornar um “herói” corajoso capaz de proteger um amigo até às últimas consequências da mesma forma que protege qualquer inocente anónimo tendo o poder de o fazer “só porque é homem” e porque é livre. Quem não o faz, por preguiça, abdica de realizar-se da forma mais humana. Não nos parece que o preguiçoso seja capaz de muitos atos heróicos.
Conseguimos aceitar, nós próprios, que o homem não tenha o poder de criar e recriar-se a si  próprio através da sua sensibilidade e da sua razão conduzida pelo desejo de felicidade, na liberdade? 
 É porque o ser-humano é livre e racional que pode ultrapassar a aparência e os juízos imediatos e fáceis. É claro que é mais fácil mantermo-nos na ignorância e à superfície das questões, mas o risco também é muito grande. Não é fácil pensar e investigar os nossos próprios juízos em busca de preconceitos para os erradicar, não é algo que a maioria esteja disposta a fazer, mas também é essa busca pelo conhecimento que nos distingue dos restantes animais. 
  Não conceber a possibilidade de o próprio indivíduo autodeterminar-se e considerá-lo um ser determinado por uma certa característica significa atentar contra a fórmula da liberdade apontado por Immanuel Kant “A liberdade como homem, cujo princípio para a constituição de uma comunidade eu exprimo na fórmula: ninguém me pode constranger a ser feliz à sua maneira (como ele concebe o bem-estar dos outros homens), mas a cada um é permitido buscar a sua felicidade pela via que lhe parecer boa, contando que não cause dano à liberdade de os outros (isto é, ao direito de outrem) aspirarem a um fim semelhante, e que pode/coexistir com a liberdade de cada um, segundo uma lei universal possível.1” 
Se podemos ser elogiados por um ato heróico é porque nos responsabilizamos e somos responsabilizados por tal ato, porque somos racionais. 
 A discriminação arbitrária deve ser entendida como uma violação do princípio fundamental da igualdade, consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que no seu artigo primeiro reafirma: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais na sua dignidade e em direitos". Neste sentido é proibido pela lei discriminar alguém em função do sexo, da raça, da cor, da origem étnica ou social, das características genéticas, da língua, da religião, do nascimento, da idade ou da orientação sexual. 
 São as determinações naturais que fazem o homem um animal, mas é a sua vontade livre que o torna Homem. 

Doc. I , Joana  F. Caldeira Antunes Martins


1 Kant, Immanuel. A Paz Perpétua e Outros Opúsculos - Sobre a expressão corrente: isto pode valer na 
teoria, mas nada vale na prática. Edições 70, Lisboa, 2009

Powerpoint: Todas as Coisas podem ser valorizadas ou desvalorizadas- link: https://www.sendspace.com/file/utaofz